PSD-RJ defende eleições diretas para mandato tampão no Rio, enquanto STF se divide sobre decisão

Fábio Soares

Em meio ao impasse no Supremo Tribunal Federal (STF), lideranças políticas fluminenses intensificam a defesa de eleições diretas para o governo do Rio de Janeiro. À frente do PSD em Barra Mansa, Leo Santos e o ex-prefeito da capital e pré-candidato a governador, Eduardo Paes, passaram a expressar publicamente a necessidade de submeter ao voto popular a escolha do governador-tampão.

O julgamento no STF teve início na quarta-feira (8), quando houve empate em 1 a 1. O relator do caso, ministro Cristiano Zanin, votou pela realização de eleições diretas, enquanto o ministro Luiz Fux abriu divergência ao defender o modelo indireto, a ser realizado pela Assembleia Legislativa.

Na retomada da sessão nesta quinta-feita (09), o placar avançou para 4 votos a 1 a favor das eleições indiretas. No entanto, o julgamento foi novamente interrompido após pedido de vista do ministro Flávio Dino, adiando a conclusão definitiva sobre o formato da escolha.

A decisão provisória mantém, por ora, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto de Castro, no comando do Executivo estadual, diante da vacância simultânea dos cargos de governador e vice-governador.

O caso ocorre após a renúncia do ex-governador Cláudio Castro, em março, em meio à sua inelegibilidade determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A saída, às vésperas do julgamento, foi interpretada por parte dos ministros como possível tentativa de influenciar o modelo de sucessão.

O tema ganhou força no cenário político. O PSD foi, inclusive, o autor da ação que levou o debate ao STF, questionando regras aprovadas para a eleição indireta e defendendo a consulta popular.

No campo político, Leo Santos tem reforçado que restringir a escolha ao colégio eleitoral da Alerj amplia o distanciamento entre governo e sociedade em um momento de instabilidade institucional. A mesma linha é adotada por Eduardo Paes, que defende o voto direto como forma de recompor a legitimidade democrática no estado.

O desfecho do julgamento no STF deve definir o formato da eleição, bem como os rumos da sucessão estadual até o pleito regular de outubro próximo.

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