Às margens do Corumbá IV: como um território de 3 milhões de metros quadrados organiza natureza e ocupação

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No interior de Goiás, um projeto imobiliário de grande extensão adota um princípio que o aproxima mais do planejamento territorial do que do loteamento. A preservação da paisagem deixa de ser exigência ambiental para virar parte do desenho. O reservatório do Corumbá IV é o eixo dessa lógica.

O reservatório do Corumbá IV, formado pela usina hidrelétrica de mesmo nome, há tempos é destino de casas de fim de semana no interior de Goiás. A relação entre essas ocupações e a paisagem do entorno, no entanto, costumou seguir o padrão do loteamento: parcela-se a terra, vendem-se as unidades e a natureza ao redor é tratada como cenário, não como parte do projeto. Um tipo diferente de empreendimento começa a propor outra relação.

A Fazenda do Lago, projeto do Grupo CPR às margens do Lago Corumbá IV, em Abadiânia, ocupa 3 milhões de metros quadrados. A escala não é apenas um argumento de venda. Ela é a condição que permite ao projeto separar, dentro do mesmo território, zonas de uso que em áreas menores entrariam em conflito: a ocupação residencial, a área de convívio ligada à água, a infraestrutura esportiva e as faixas de preservação ambiental.

“Em um território amplo, você tem espaço para separar as zonas de uso sem sobreposição. A preservação ambiental não é um resíduo do projeto, é parte do desenho. Quando a escala permite, conservar a paisagem e ocupar o território deixam de ser objetivos opostos.” Destaca, Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR.

Esse princípio muda o método de trabalho. Em vez de definir o parcelamento primeiro e ajustar as áreas verdes ao que sobra, o projeto parte do território inteiro e distribui as funções a partir da leitura da paisagem. Relevo, vegetação e a relação com a água passam a orientar onde cada uso vai ficar. O paisagismo, nesse arranjo, não é decoração final, é uma decisão estrutural tomada no início.

A operação do grupo absorve internamente etapas que loteamentos costumam terceirizar. Paisagismo, engenharia de infraestrutura e governança da comunidade são tratados como competências da própria incorporadora. Para o território, isso significa que a manutenção da paisagem não depende de um contrato de terceiros que pode mudar ao longo do tempo, e sim de uma operação contínua sob responsabilidade de quem desenhou o projeto.

A vocação do reservatório para atividades ligadas à água também entra no planejamento. Em Aruanã, o segundo projeto territorial do grupo em Goiás, está previsto para final de 2026 a abertura de um clube voltado à pesca esportiva. A atividade, comum na região do Vale do Araguaia, deixa de ser um uso informal do espaço e passa a ser incorporada à estrutura do empreendimento, com área e governança próprias.

“A pesca esportiva e o uso náutico fazem parte da cultura da região há muito tempo. O que fazemos é dar a essas atividades uma estrutura organizada, com área definida e regras claras, em vez de deixá-las acontecer de forma improvisada. Vai ser um clube de pesca, na qual, vamos oferecer estrutura de recepção e saída para pesca do condomínio para o rio, não estamos na beira do rio, mas teremos parceiros organizados para receber nossos clientes.” Comenta, Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR.

O movimento acompanha uma mudança no perfil de quem ocupa essas áreas. Levantamento da ABRAINC sobre o comprador de alto padrão no Centro-Oeste aponta uma composição que vai além do produtor rural local: inclui empresários do agronegócio regional, profissionais de capitais próximas e famílias de outros estados. É um público que valoriza a paisagem preservada como parte da experiência, e não apenas como vista.

Para o entorno do Corumbá IV, a chegada de projetos com esse tipo de planejamento sinaliza uma transição. O reservatório, antes ocupado de forma dispersa, passa a receber empreendimentos que tratam a relação com a natureza como uma decisão de projeto. A questão que fica para a região é se esse padrão de ocupação planejada vai se firmar como referência ou conviver com o modelo de parcelamento tradicional que marcou as margens do lago até aqui.

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