De 1992 ao posto de referência no Mercosul: a história da Interlink Cargo, transportadora gaúcha que virou autoridade em comércio exterior

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# De 1992 ao posto de referência no Mercosul: a história da Interlink Cargo, transportadora gaúcha que virou autoridade em comércio exterior

Quando a Interlink Cargo começou a operar, em 1992, o Mercosul ainda era uma promessa institucional em construção. O Tratado de Assunção, que criou o bloco, tinha sido assinado no ano anterior, e o fluxo logístico entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai mal começava a ganhar formato comercial. Foi nesse cenário ainda incipiente que uma empresa familiar gaúcha decidiu apostar exclusivamente no transporte rodoviário internacional e no despacho aduaneiro como modelo de negócio, em um setor dominado por grandes operadores logísticos consolidados e pouco especializado em rotas regionais.

Três décadas depois, o corredor que a empresa escolheu como aposta original ganhou peso institucional renovado. Em maio de 2026, o governo brasileiro promulgou o Acordo de Facilitação do Comércio do Mercosul, voltado a simplificar procedimentos aduaneiros entre os quatro países do bloco, e em paralelo entrou em vigor o tratado de livre comércio Mercosul-União Europeia. As exportações brasileiras para a Argentina, somente em 2025, cresceram 31,4% segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Para empresas como a Interlink Cargo, que construíram décadas de operação justamente no fluxo Mercosul, o momento é de consolidação de uma posição construída lentamente.

A Interlink Cargo se firmou como uma das referências em logística de comércio exterior no Sul do Brasil. Movimentou em 2025 cerca de US$ 225 milhões em mercadorias entre os países do bloco, opera com frota própria moderna e rastreada, mantém serviço integrado que combina transporte, despacho aduaneiro e armazém geral, e acumulou 12 reconhecimentos da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil no Rio Grande do Sul (ADVB/RS) na categoria Serviços de Suporte à Exportação. A trajetória oferece pistas concretas sobre como construir autoridade duradoura em um setor de alta complexidade regulatória e baixa tolerância a falhas.

“Construir uma transportadora de comércio exterior é, antes de tudo, construir confiança. Cada certificação que você conquista, cada cliente industrial que renova contrato por uma década, cada fronteira que sua frota cruza sem incidente, tudo isso vai compondo um ativo intangível que nenhum concorrente novo consegue replicar do dia para a noite”, afirma Lucas Vidal Cardoso, diretor comercial da Interlink Cargo.

A seguir, quatro elementos que sustentam o posicionamento da empresa como autoridade em logística de comércio exterior no Sul do país.

1. Permanência num setor que pune erros

Operar transporte internacional rodoviário entre quatro países durante 30+ anos significa atravessar quatro grandes ciclos econômicos brasileiros, recessões nos vizinhos do bloco, mudanças completas de marcos regulatórios aduaneiros e oscilações cambiais que costumam quebrar transportadoras menos preparadas. A Interlink Cargo atravessou todos esses momentos mantendo operação contínua e ampliando portfólio de clientes industriais. No setor, tempo de mercado funciona como filtro: grandes embarcadores raramente entregam cargas sensíveis a empresas com menos de uma década de histórico comprovado em rotas internacionais.

2. Certificações que funcionam como filtros de mercado

A Interlink Cargo é Operador Econômico Autorizado (OEA) da Receita Federal, status concedido a empresas que demonstram conformidade fiscal e segurança comprovada na cadeia logística internacional. O programa é restrito: segundo a Receita Federal, o Brasil tem cerca de 482 exportadores/importadores certificados como OEA, e esse grupo responde por 28,55% do valor total das declarações de comércio exterior brasileiras em 2025, com 99,68% das operações passando direto pelo canal verde aduaneiro contra média muito inferior para empresas não certificadas. Em outras palavras, a certificação não é decorativa: muda materialmente o custo logístico e o tempo de despacho do embarcador.

A empresa detém ainda a certificação SASSMAQ, sistema criado pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) em 2001 e que se tornou pré-requisito contratual desde 2005 para o transporte de produtos químicos e perigosos. Cerca de 800 prestadores de serviços logísticos no Brasil possuem a certificação atualmente. Soma-se a esse conjunto o credenciamento junto ao Ibama, exigido para operações com impacto ambiental controlado. Em licitações com grandes indústrias químicas, agroexportadoras e tradings, essas certificações funcionam como pré-requisito de qualificação. Empresas sem o conjunto completo ficam fora da disputa antes mesmo da análise de preço.

3. Serviço integrado em vez de operação fragmentada

A maior parte do mercado de logística de comércio exterior é operada em camadas: uma empresa cuida do transporte rodoviário, outra do despacho aduaneiro e uma terceira do armazém. O cliente gerencia a integração. A Interlink Cargo construiu, ao longo das três décadas, oferta integrada que combina os três serviços sob a mesma estrutura. Para o embarcador, isso reduz o número de interfaces, encurta o ciclo de comunicação em caso de imprevisto e concentra a responsabilidade num único fornecedor. Para a empresa, virou diferencial de retenção: clientes que entram pelo transporte costumam contratar também o despacho e o armazém ao longo da relação.

4. Reinvestimento contínuo em frota, tecnologia e capacitação

A empresa trata a inovação como pilar operacional e tem direcionado investimentos sistemáticos em três frentes: frota própria moderna e rastreada, tecnologia aplicada ao acompanhamento de cargas, e capacitação contínua de motoristas, equipes de despacho e gestão. No campo tecnológico, opera internamente um sistema de machine learning que faz a predição de cargas e envia o status da viagem diretamente ao cliente via WhatsApp, endereçando duas dores recorrentes em comércio exterior: a falta de visibilidade sobre o andamento e a dificuldade de estimar com precisão a previsão de entrega em rotas que cruzam fronteiras.

“Autoridade no nosso setor não é discurso, é repetição. Você entrega bem em 1992, em 2002, em 2012, em 2022. Você renova frota quando o mercado está ruim, pois acredita na mudança. Você investe em tecnologia antes do cliente exigir. No final, são 30 anos de pequenas decisões coerentes que constroem a reputação que carrega o nome da empresa hoje”, pontua Lucas Vidal Cardoso.

A trajetória da Interlink Cargo deixa uma leitura aplicável a empreendedores de qualquer setor de alta complexidade: autoridade duradoura não é construída em campanhas pontuais nem em movimentos de marketing isolados. Ela se forma na sobreposição de décadas de operação consistente, certificações conquistadas em ciclos regulatórios sucessivos, retenção de clientes industriais que dependem do serviço como infraestrutura crítica, e reinvestimento contínuo mesmo nos momentos em que cortar custo pareceria a decisão racional. Quem opera em mercados B2B de baixa tolerância a falhas, a história da transportadora gaúcha sugere, ganha disputando pelo tempo, e não pelo discurso.

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