De um quarto em casa à operação nacional: como um escritório gaúcho virou referência em dois anos e abriu nova frente para empresas

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# De um quarto em casa à operação nacional: como um escritório gaúcho virou referência em dois anos e abriu nova frente para empresas

Quando Cassiane Rodrigues começou a advogar, em 2023, tinha como escritório a parede do próprio quarto, um notebook antigo e um celular. Dois anos depois, subiu ao palco do Palácio dos Festivais, em Gramado, para receber o troféu de Melhor Escritório de Direito do Consumidor do Brasil, entregue pela ADVBOX durante a 5ª edição do Prêmio Law Summit. Ao lado da sócia Camila Scola, construiu uma operação que hoje atua em processos em todos os estados, soma mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais e, desde 2025, atende também o empresário endividado, segmento que se tornou a nova frente de crescimento da banca.

1. Escolher um nicho com demanda estrutural

O Brasil fechou 2025 com 81,7 milhões de inadimplentes (Serasa) e crescimento de 8.530% em processos de superendividamento entre 2021 e 2024 (Predictus). Para um escritório em formação, esse recorte oferece três vantagens: volume constante, ticket médio padronizado e possibilidade de industrializar a operação sem perder consistência técnica.

“Não tinha estrutura nem rede de indicação. Mas existia uma dor muito clara: pessoas endividadas, com contratos que não compreendiam e cobranças que não conseguiam contestar sozinhas. O nicho deu direção para cada decisão”, afirma Cassiane.

2. Divisão de papéis entre sócias

Cassiane assumiu o marketing, atendimento e relacionamento. Camila Scola, formada pela UFSM, pós-graduada em Direito Empresarial e com passagem por grandes escritórios, ficou com o sucesso processual e a parte administrativa. A divisão resolveu um problema clássico: quando a mesma pessoa acumula captação, entrega técnica e gestão, uma das três frentes acaba sacrificada. Separar desde o início os eixos transformou tração comercial em capacidade real de entrega.

3. Digital como orientação, não propaganda

Em vez de falar sobre o escritório, Cassiane passou a explicar situações concretas que o consumidor enfrenta no dia a dia: como quitar dívidas com até 90% de desconto, que tipo de juros é considerado abusivo e quais irregularidades os bancos costumam cometer em contratos e cobranças. A linguagem direta, sem juridiquês, encontrou audiência. As redes sociais do escritório, hoje com mais de 2 milhões de seguidores, transformaram o digital em algo bem maior do que o canal de presença: viraram a principal porta de entrada do negócio.

O efeito de negócio é direto: o escritório ocupa a primeira camada de informação no momento exato em que o consumidor (e, mais recentemente, o empresário) busca respostas. A jornada deixa de ser prospecção ativa e vira atendimento de demanda latente, com escala muito maior e custo de aquisição muito menor do que qualquer mídia paga conseguiria entregar.

4. Da pessoa física para o empresário: o pivot de 2025

Em 2025, o Rodrigues & Scola fez o movimento que todo escritório especializado em consumidor cedo ou tarde precisa decidir se faz: levar a mesma metodologia para o universo do empresário endividado. A escolha não foi cosmética. Renegociação de dívidas empresariais, contestação de juros abusivos em capital de giro e revisão de contratos bancários corporativos passaram a ocupar parte relevante da operação, atendidos pela mesma estrutura técnica e digital que já estava montada.

A lógica por trás do movimento é simples e pouco explorada no mercado jurídico brasileiro: as dores que travam o consumidor pessoa física são, em escala maior e com mais zeros, exatamente as mesmas que travam o pequeno e médio empresário. Cobranças que não fecham, juros que se acumulam em camadas e contratos cujas cláusulas não foram lidas no momento da assinatura. O pivot transforma o escritório de banca de consumo em estrutura de defesa empresarial, sem precisar começar nada do zero.

“Em 2025 nos especializamos em dívidas de empresas. Todo o trabalho que já prestávamos para o consumidor está agora disponível para o empresário. De alguma forma, era preciso colocar as empresas em evidência, porque a dor delas é a mesma, só que multiplicada”, explica Cassiane.

5. Escala geográfica via Judiciário eletrônico

Segundo o CNJ, 99,6% dos processos hoje são eletrônicos. Um escritório sediado em São Leopoldo (RS) pode conduzir processos em todos os estados sem filiais físicas nem correspondentes locais. O custo marginal de cada novo cliente despenca: operação centralizada, custo fixo estável, margem crescente com volume. Foi essa janela que levou o Rodrigues & Scola a alcance nacional em 24 meses, e é a mesma janela que sustenta agora a expansão para o segmento empresarial sem a necessidade de abrir unidades.

6. Reconhecimento como ativo reputacional

A ADVBOX, empresa de software jurídico sediada em Florianópolis, criou em 2026 a categoria específica de Melhor Escritório de Direito do Consumidor, partindo da leitura de que a vertical se consolidou como mercado próprio dentro da advocacia digital.

“O troféu reconhece não só a velocidade do crescimento, mas a capacidade de transformar um começo simples em uma operação especializada, escalável e alinhada às exigências da advocacia digital contemporânea”, registrou a ADVBOX ao anunciar a premiação.

O recado do case é que a advocacia digital brasileira deixou de ser aposta de nicho e virou um dos segmentos empreendedores mais dinâmicos do país. O Rodrigues & Scola começou pelo consumidor, ganhou audiência e prêmio, e agora replica a mesma engenharia para o empresário. O ponto de partida importa menos do que a arquitetura do negócio construída a partir dele, e a capacidade de evoluí-la sem perder o que já funciona.

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