Due diligence de terceiros, triagem de parceiros e controles contratuais viram condição para manter contratos, crédito e investimentos com parceiros americanos
Os Estados Unidos foram o segundo maior destino das exportações brasileiras em 2025, com US$ 37,7 bilhões em vendas, segundo o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). No mesmo ano, o Brasil importou US$ 45,2 bilhões do país. Somada, a corrente de comércio passou de US$ 80 bilhões. Por trás desse volume há milhares de empresas brasileiras que vendem, compram, captam recursos ou se financiam com contrapartes americanas. Para elas, um programa de compliance sólido deixou de ser diferencial e passou a pesar diretamente na hora de fechar e renovar contratos.
Para a clickCompliance, que desenvolve uma plataforma de gestão de programas de compliance e integridade com módulos de políticas, treinamentos, canal de denúncias, privacidade e obrigações regulatórias, a revisão desses controles exige trabalho coordenado entre compliance, jurídico, riscos e auditoria interna.
O que parceiros americanos costumam exigir de uma empresa brasileira?
Empresas americanas e bancos que operam em dólar costumam submeter fornecedores e clientes estrangeiros a processos formais de avaliação antes de assinar contratos. O pacote inclui questionários de integridade, identificação da estrutura societária e do beneficiário final, checagem contra listas restritivas internacionais e comprovação de que a empresa mantém políticas, treinamentos e canal de denúncias em funcionamento.
Na renovação, o processo se repete. Uma resposta incompleta ou uma política desatualizada pode atrasar a assinatura, reduzir limites de crédito ou tirar a empresa de uma concorrência.
Por que a cadeia de fornecedores entra na conta?
A avaliação não para na empresa contratada. Parceiros internacionais olham também para quem está por trás dela: sócios, fornecedores relevantes, representantes comerciais e prestadores de serviço. Um terceiro com histórico problemático pode comprometer a relação inteira, mesmo que a empresa brasileira não tenha qualquer envolvimento direto.
Isso amplia a lista de obrigações regulatórias que a área de compliance precisa acompanhar. Também transforma a gestão de terceiros em rotina contínua, não em etapa única de cadastro.
Quais frentes o compliance precisa revisar?
“As empresas que querem manter e ampliar negócios com parceiros americanos precisam revisar cinco frentes: due diligence de terceiros, processos de KYC reforçado, screening contra listas restritivas internacionais, cláusulas contratuais de conformidade e a calibragem do canal de denúncias”, afirma Marcelo Erthal, CEO da clickCompliance.
Na due diligence, o ponto central é mapear a estrutura societária e o beneficiário final de fornecedores e parceiros. O KYC (Know Your Customer) reforçado considera setor, geografia de atuação e padrão de pagamentos do cliente. A checagem contra listas restritivas precisa ser periódica, porque essas relações mudam com frequência.
Nos contratos, ganham espaço as declarações de conformidade e os direitos de auditoria e de rescisão. O canal de denúncias, por sua vez, deve estar preparado para receber e classificar relatos que envolvam terceiros, e não apenas colaboradores.
Como a tecnologia ajuda a sustentar esses controles?
Empresas com centenas ou milhares de fornecedores não conseguem repetir manualmente todas as verificações a cada atualização. Erthal destaca que ferramentas de automação e inteligência artificial podem auxiliar na triagem contínua de parceiros comerciais e no monitoramento de transações suspeitas.
“Uma lista restritiva muda sem aviso. Se a checagem de terceiros acontece só no cadastro, a empresa corre o risco de descobrir o problema depois do banco ou do parceiro estrangeiro. A automação permite repetir essa verificação de forma contínua e deixar para o time de compliance os casos que realmente exigem análise e julgamento”, afirma o CEO.
Onde aprofundar o tema?
O Compliance Talks, série de webinars gratuitos e com certificado promovida pela clickCompliance, dedica sua próxima edição ao que as empresas precisam revisar no compliance para seguir fazendo negócios com parceiros dos Estados Unidos. O encontro está marcado para 5 de outubro, das 11h às 12h, e as inscrições podem ser feitas no site do Compliance Talks.
Para quem exporta, importa ou busca capital nos EUA, a lição é tratar compliance como parte da negociação. Isso significa ter documentos, registros e processos prontos para mostrar ao parceiro que os riscos da relação foram avaliados antes de cada contrato.




