Plataforma da all2data.ai reúne notas, recibos e Pix enviados pelo WhatsApp e mostra o custo de cada obra enquanto ela acontece
Toda obra começa na compra de material, e cada compra deixa um comprovante: a nota do depósito, o cupom da loja, o recibo do fornecedor, o Pix no celular. Juntos, esses papéis contam quanto a obra custou, mas ficam espalhados entre gavetas, carteiras e conversas de WhatsApp. Na reforma de casa, a conta para na mesa da cozinha, com o responsável tendo muito trabalho para acompanhar os gastos. Na construtora, o escritório só descobre semanas depois quanto a obra custou de verdade. No condomínio, a dúvida chega à assembleia, com o síndico tentando explicar aos moradores quanto custou a fachada. É para esse cenário que a all2data.ai criou o PrestaContas.ai: cada comprovante, de qualquer tipo, vira gasto na obra certa, e a ferramenta mostra quanto cada obra realmente custa, enquanto ela acontece.
Essa realidade se repete em obras de todo o país, da pequena reforma residencial à obra do condomínio e ao empreendimento de construtora de médio porte. Notas fiscais e comprovantes ficam espalhados entre grupos de WhatsApp, e-mails e até o porta-luvas do carro. As planilhas de controle já nascem desatualizadas, porque alguém precisa parar para digitar. O resultado é conhecido de quem gerencia obras: o custo real só aparece no fim do projeto, quando não há mais como corrigir a rota.
O controle ganha peso porque construir ficou mais caro. O INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção), do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), subiu 0,25% em setembro e acumula alta de 6,61% em 12 meses. Pelo Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o metro quadrado construído custava em média R$ 1.993,76 no país em agosto, com alta de 7,03% em 12 meses. Só a mão de obra acumula aumento de 6,95% em 2026.
A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) mantém a previsão de crescimento de 1,2% para o PIB da construção em 2026 e cita os custos da construção acima da inflação entre os fatores que limitam uma expansão mais forte do setor.
O PrestaContas.ai reúne gastos, fornecedores e documentos de cada obra em um único painel. Em campo, o registro é simples. Basta mandar a foto da nota, do recibo ou do comprovante de Pix pelo WhatsApp, sem instalar nenhum aplicativo. No computador, é possível subir os arquivos recebidos por e-mail ou importar planilhas que já existem. Até pagamentos em dinheiro entram no controle com uma mensagem curta, como “300 pedreiro”, confirmada com um toque e marcada como “sem nota fiscal”. Com ou sem documento formal, cada despesa vai para a obra certa.
Os canais escolhidos acompanham a rotina do brasileiro. A pesquisa Super Panorama, do Mobile Time em parceria com a Opinion Box, mostra que o WhatsApp aparece na tela inicial do celular de 65% dos brasileiros. O Pix bateu recorde diário em 4 de setembro, com mais de 318 milhões de transações liquidadas e R$ 186,89 bilhões movimentados, segundo o BC (Banco Central). A informalidade também é marca do setor. Estudo apresentado pela CBIC mostrou que a informalidade alcançava 67% dos 7,065 milhões de ocupados na construção em 2023, com predomínio de trabalhadores por conta própria.
A inteligência artificial da plataforma lê fornecedor, valor, data e os itens da nota. Ela sugere obra, categoria e etapa, e sinaliza o que merece atenção. A ferramenta também divide uma compra entre obras diferentes e registra devoluções, descontos e créditos sem apagar o histórico.
Antes da compra, os orçamentos de vários fornecedores podem ser enviados pelo site ou pelo WhatsApp. A IA compara item a item, destaca o menor preço de cada linha e monta a combinação mais vantajosa. Um histórico mostra quanto já se pagou em materiais como o cimento e em qual loja saiu mais barato, com consulta por mensagem, como “preço cimento”. Na Conferência de Entregas, o porteiro ou o mestre de obras fotografa a nota que chega com o caminhão e confirma se veio tudo, sem ver nenhum valor. O recurso está incluído no plano Obra Única e custa a partir de R$ 49 por mês nos demais planos.
Um princípio orienta a tecnologia e responde à desconfiança comum em relação à automação: “A IA prepara; uma pessoa confirma”. Nenhum custo entra na obra sem validação humana, e o documento original fica guardado junto ao lançamento, formando um histórico auditável. Para Cezar Cedro Santos, fundador e CEO da all2data.ai, é isso que separa uma ferramenta especializada de uma IA genérica. Digitalizar a nota é simples. O desafio está em organizar e categorizar, e é essa a tarefa que o PrestaContas.ai assume.
A plataforma atende desde o proprietário que reforma o apartamento até a construtora com várias obras em andamento, passando pelos condomínios. Para empresas, a equipe é ilimitada, e cada pessoa vê só as obras e notas que lhe dizem respeito. O cliente final acompanha por link os gastos e as fotos liberados daquela obra. Os relatórios saem em PDF ou planilha, por obra, período e categoria. Há ainda um relatório que organiza os documentos da reforma para a declaração do Imposto de Renda.
Para construtoras que tocam obras financiadas pela Caixa, a plataforma tem um módulo próprio. Nesse tipo de financiamento, o engenheiro responsável apresenta ao banco a PCI (Proposta de Construção Individual), com o orçamento da obra dividido em 20 serviços, e o dinheiro é liberado em parcelas, conforme a evolução da obra medida na PLS (Planilha de Levantamento de Serviços). No PrestaContas.ai, a construtora importa a PCI de cada obra e compara, item a item, o orçado com o gasto das notas já confirmadas. A ferramenta aponta os serviços do orçamento fora da faixa aceita pela Caixa e aqueles em que o gasto já passou do previsto. Com a medição do mês lançada, gera a PLS preenchida e indica se a obra está lenta, normal ou rápida em relação à curva da Caixa. A vistoria do banco e a responsabilidade técnica continuam com o engenheiro. O módulo é ligado a pedido e custa R$ 79 por obra por mês, além do plano.
Nas reformas residenciais, o crédito também entrou em cena. O Reforma Casa Brasil, linha do Ministério das Cidades em parceria com o Ministério da Fazenda, foi lançado com R$ 40 bilhões em crédito e, até julho, somava cerca de R$ 3 bilhões contratados em aproximadamente 117,3 mil contratos, com valor médio de R$ 23,4 mil.
Nos condomínios, o desafio ganha uma camada a mais: prestar contas aos moradores. Em obras como a da fachada, a do elevador ou a da piscina, o zelador, o empreiteiro e a administradora podem lançar os gastos pelo próprio WhatsApp, e o síndico vê tudo reunido em um só lugar. Cada despesa registra quem a enviou, quando e, se houver, a foto do documento original. Se o conselho perguntar por uma nota específica, a resposta está lá. O conselho fiscal recebe acesso somente de leitura à obra que o síndico liberar, com os gastos e as fotos que ele escolher mostrar, e pode pedir o relatório em PDF pelo WhatsApp. O relatório traz o custo de cada etapa e o total da obra, pronto para a assembleia. A ferramenta não substitui o sistema da administradora, que segue cuidando de boletos, assembleias e portaria; ela se ocupa só da obra. Também serve para a pequena obra de manutenção, cheia de gastos miúdos e sem nota, justamente onde o controle costuma escapar. Para condomínios, o plano de R$ 89 por mês cobre até cinco obras simultâneas e inclui dez condôminos convidados.
É um público em expansão. Pelo Censo 2022 do IBGE, 12,5% da população brasileira morava em apartamentos, ante 8,5% em 2010, o que equivale a 25,2 milhões de pessoas. Outros 2,4% viviam em casas de vila ou em condomínio.
A all2data.ai também leva o produto aos microempreendedores, com uma visão clara do que entrou, do que saiu e de quanto sobrou, acompanhando o teto de faturamento. Os planos começam em R$ 29 por mês, com 15 dias grátis e sem cartão. A expectativa da empresa é que registrar despesas pelo celular dê aos gestores de obra um controle mais ágil dos gastos e decisões mais seguras.
Segundo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), com base no CNPJ da Receita Federal, cerca de 2,25 milhões de MEIs (microempreendedores individuais) foram abertos no primeiro semestre de 2026, o equivalente a mais de 75% dos 2,9 milhões de pequenos negócios registrados no período.




