De um box no Ceasa a uma rede com mais de 30 franqueados: como Alex Araripe estruturou a InfinitoCred

Pulse Brand
6 min Read

# De um box no Ceasa a uma rede com mais de 30 franqueados: como Alex Araripe estruturou a InfinitoCred

Aos 9 anos, num box do Ceasa de Natal (RN), Alex Araripe começou a empreender vendendo o que conseguia. Quase trinta anos depois, com base em Alphaville, na Grande São Paulo, e operação ativa entre o eixo paulista e o Nordeste, ele conduz duas empresas que se completam pelas pontas opostas da jornada do crédito. A InfinitoCred é a porta de entrada: consultoria financeira especializada em reabilitação de crédito, com mais de 20 anos de mercado, atua em limpeza de nome, aumento de score, regularização de CPF e CNPJ. A HC Consórcio entra depois, quando o cliente já está apto, e estrutura o acesso ao capital por meio de consórcios.

A InfinitoCred é o vetor de expansão do ecossistema. Operando como franqueadora, a marca passou de operação local a uma rede com mais de 30 franqueados espalhados pelo Brasil, atendendo empresários, pessoas físicas e investidores em diferentes regiões do país. O produto central é simples de explicar e difícil de executar: pegar quem foi recusado pelo banco e devolver essa pessoa ao sistema com poder de compra real. Isso passa por reabilitação de score, regularização documental e educação financeira, tudo o que o balcão do banco não tem tempo nem incentivo de fazer.

A HC Consórcio nasceu como o desfecho natural dessa jornada. Quando o cliente da InfinitoCred conclui o processo de reabilitação e volta a ter capacidade de tomar crédito, é a HC que estrutura a operação. O consórcio é o instrumento principal: serve para imóvel, automóvel, frota e capital de giro. O modelo evita as armadilhas do crédito tradicional, que costuma ser mais caro e menos flexível para quem acabou de sair de uma restrição.

O contexto ajuda. O crédito para empresas no Nordeste cresceu 14,3% em 12 meses até meados de 2025, acima da média nacional de 10,7%, segundo dados do Banco Central reunidos pelo Banco do Nordeste. Os lançamentos imobiliários da região avançaram 27,4% no último trimestre do ano, o maior crescimento do país fora do Norte. Mas, na prática, o empresário regional ainda esbarra em um sistema que oferece volume sem oferecer caminho. O crédito existe, só que chega traduzido em jargão e protocolos que afastam quem mais precisaria usá-lo.

Para Alex Araripe, é aí que está a oportunidade de negócio das duas empresas. “O empresário acessa crédito. O que ele não acessa é estrutura. A maioria sai do banco com o ‘não’ e sem o ‘porquê do não'”, resume. A frase virou guia operacional. Tanto na InfinitoCred quanto na HC, o ponto de partida é diagnosticar a situação financeira da pessoa ou da empresa antes de oferecer um produto. Quando o crédito tradicional não cabe, a alternativa raramente é o cheque especial ou o rotativo. Costuma ser o consórcio, com lance estruturado, e capital de giro com garantia.

Hoje, três perfis convivem na carteira. O empresário que precisa de capital de giro, frota ou imóvel comercial, e descobre, no consórcio bem desenhado, custo financeiro mais baixo que numa linha bancária comum. A pessoa física com score travado, que costuma ouvir “não” no banco e raramente entende o motivo, e que passa pelo processo de reabilitação antes de acessar o crédito. E o investidor, que enxerga no consórcio contemplado uma forma de alavancar patrimônio com previsibilidade. Em todos os casos, segundo o empresário, a regra é a mesma: planejamento antes de produto.

É também por aí que passa a tese da franquia. O perfil de franqueado da InfinitoCred costuma ser o profissional ou empresário que já atua em finanças, crédito ou setor imobiliário e enxerga, no modelo de consultoria financeira somado ao consórcio bem estruturado, uma frente de negócio mais rentável e mais previsível do que a corretagem tradicional. Em muitos casos, o próprio franqueado também usa a estrutura para resolver a operação de crédito da própria empresa antes de passar a atender o mercado da sua região.

Há ainda um vértice menos óbvio na operação: a inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade na própria cadeia. Mães solteiras e pessoas em recomeço profissional são capacitadas para atuar como correspondentes bancárias dentro da estrutura, intermediando crédito em suas próprias comunidades. Para Alex Araripe, é a parte mais simbólica do projeto, o ponto em que o ciclo se fecha entre quem viveu a margem do sistema financeiro e agora ajuda a abri-lo para outros.

O cenário macro reforça o tamanho da janela. O Banco do Nordeste fechou 2025 com R$ 7,83 bilhões em crédito contratado só em Pernambuco, um salto de 73% em quatro anos. O crédito imobiliário no Rio Grande do Norte avançou 14,6%, chegando a R$ 15,59 bilhões. O dinheiro chegou. A pergunta de empreendedor que resta é simples: quem vai estruturar a ponte entre esse capital e o empresário que ainda não sabe usá-lo? Para Alex Araripe, essa ponte tem nome, modelo de negócio e uma rede em expansão para sustentá-la.

Compartilhe Este Artigo