ANBIOTEC leva aldeia indígena para dentro da Hospitalar 2026 em projeto que une biotecnologia ancestral e inovação

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Iniciativa busca conectar os saberes da terra às tecnologias mais avançadas da saúde no Brasil e terá programação com debates, cortejo cultural e presença de lideranças indígenas e executivos

Por décadas, as feiras do setor de saúde foram marcadas por estandes tecnológicos, equipamentos hospitalares e apresentações corporativas voltadas à inovação industrial. Na edição de 2026 da Hospitalar, realizado pela Informa Markets Latam, porém, um dos espaços mais simbólicos do evento surgiu justamente do encontro entre tecnologia e conhecimentos ancestrais.

 

A ANBIOTEC Brasil leva uma aldeia indígena para dentro do evento que ocupa a São Paulo Expo, na capital paulista, de hoje (19) até nesta sexta-feira (22) em uma proposta que busca aproximar empresários, cientistas e executivos para um debate sobre como os saberes tradicionais podem dialogar com o desenvolvimento da biotecnologia contemporânea.

 

Com o tema “A Biotecnologia é ancestral: inovação, saberes e acesso à saúde nos territórios“, o projeto nasceu após visitas de campo realizadas pela presidência da Associação a regiões indígenas do Pará durante agendas ligadas à COP30 no ano passado.

 

Associadas e parcerias marcam edição histórica

A estrutura ocupa a rua E-149, no setor de Diagnóstico e Laboratórios da feira. O espaço será montado em formato de oca indígena e reunirá as empresas Associadas:

Bioclin (atua na produção e desenvolvimento de kits de diagnósticos para laboratório de análises clínicas);

Bioperfectus (atua com biotecnologia e diagnóstico molecular, no que se refere aos produtos e soluções de automação laboratorial);

TÜV Rheinland Brasil (empresa que exerce atuação com certificação, inspeção, gerenciamento de projetos e treinamento para o setor);

Também participam com apoio institucional as Associadas:

Enzytec (oferece consultoria especializada em P&D para empresas de biotecnologia e IVD, desenvolvimento de negócios, assuntos regulatórios e registro de produtos);

Molecular (atua na importação, armazenamento, venda e fornecimento de soluções para diagnóstico e ciências da vida);

Rheabiotech (empresa com foco no desenvolvimento de soluções imunoquímicas para pesquisa e diagnóstico).

HSC Global (atua com consultoria especializada em FDA, MDSAP, ANVISA, MDR/IVDR e UKCA para fabricantes de dispositivos médicos. Treinamentos com certificação Exemplar Global).

O Grupo Onmnia e o Instituto Nacional de Cuidados Oncológicos e Humanização (INCOH) também aderiram ao projeto.

A oca foi construída com bambus e tem elementos e formas inspiradas no cotidiano de povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, incluindo simbologias, e um espaço também para artesanatos e instrumentos culturais e musicais, conforme explica Helena Ruette, arquiteta responsável pelo projeto arquitetônico da ilha de empresas.

 

“A proposta busca trazer a ancestralidade não como um elemento cenográfico, mas como uma forma de pensar o espaço. A geometria inspirada nas ocas, o uso do bambu e a construção mais artesanal criam um ambiente que resgata a relação humana com a natureza, o coletivo e o tempo”, relaciona.

 

Segundo ela, o próprio processo construtivo foi pensado para reduzir impacto ambiental e ampliar a reutilização dos materiais após o evento. “A montagem foi desenvolvida de forma modular e desmontável, facilitando transporte, remontagem e reutilização das peças em uma segunda vida útil. A ideia é que os materiais possam ser doados e reinseridos em novos usos, prolongando seu ciclo de vida e reduzindo o impacto ambiental da instalação”, diz a arquiteta. A estrutura ainda foi a vencedora Prata do prêmio Better Stands

A estrutura em bambu foi executada pelo engenheiro Renato da Glória, da empresa Nativa Engenharia. Toda a matéria-prima, que ultrapassa a quantidade de 200 bambus de cinco espécies nativas em diferentes formatos, foi doada pela Aldeia Guarani Guyra Pepó, situada em Tapiraí, no interior paulista. Após o evento, os bambus que receberam um tratamento especial serão devolvidos à comunidade indígena para compor a construção de um Centro Cultural na aldeia.

 

Segundo Vanessa Silva da Silva, Presidente Executiva da ANBIOTEC Brasil, esta será a 16ª participação consecutiva na Hospitalar, mas pela primeira vez com uma proposta centrada na integração entre biotecnologia, ancestralidade e os territórios tradicionais do Brasil.

 

Segundo ela, o debate sobre o tema escolhido para este ano ganha espaço em um momento em que empresas Associadas estão ampliando os investimentos em sustentabilidade, rastreabilidade e pesquisas ligadas à biodiversidade brasileira.

“A biotecnologia sempre teve um papel fundamental dentro dos laboratórios, da indústria e da pesquisa e do desenvolvimento científico. O que estamos propondo neste ano é ampliar esse diálogo, aproximando o setor das realidades vividas nos territórios e das populações que também produzem conhecimento sobre saúde, cuidado e sustentabilidade”, pontua.

 

O diálogo entre o laboratório e a floresta

Para Marcelo Pataxó, Curador Territorial e Embaixador dos Povos Indígenas da ANBIOTEC Brasil, a fusão entre a ciência laboratorial e o conhecimento nativo é fundamental para a criação de soluções terapêuticas e diagnósticas de longo prazo. “Devemos considerar e compreender como inseparáveis esses sistemas, integrando estratégias de fortalecimento das capacidades locais com apoio técnico na formação e organização territorial”, afirma Pataxó.

 

O embaixador observa que, esse modelo redefine a tomada de decisões no ambiente corporativo e industrial. “Quando apontamos os conhecimentos tradicionais como guia em tomadas de decisão, devemos considerar esse modelo como base para garantir a sustentabilidade física e cultural, envolvendo meio ambiente, organização social, espiritualidade e ancestralidade, integrando seres e saberes”.

 

Cortejo indígena e Dia de debates marca programação

A expectativa, segundo a ANBIOTEC Brasil é que milhares de pessoas visitem a Oca e os stands nela montados. Já para o segundo dia da Hospitalar, a estrutura deve concentrar uma das principais ações públicas do projeto. A programação prevê o cortejo “Caminho da Ancestralidade”, com concentração às 12h no estande Ilha de Empresas ANBIOTEC.

 

A proposta inclui pronunciamento, cantos e danças conduzidas por representantes indígenas dentro do pavilhão da feira. Na sequência, ocorrerá a Arena ANBIOTEC Brasil, realizada na Arena Plaza, espaço oficial de conteúdos da Hospitalar. Entre os convidados previstos estão representantes da ANVISA, Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) ligado ao Ministério da Saúde, Projeto Hämy e lideranças indígenas como Pataxó e Guajajara, além de especialistas ligados às áreas de ciência, tecnologia e políticas públicas.

 

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