Estudo da travel tech Loupit mapeia o ecossistema de tecnologia para viagens em 16 categorias e expõe o descompasso entre um mercado de R$ 148 bilhões em expansão e uma compra corporativa que ainda passa por telefone, e-mail e planilha
Em pouco mais de doze meses, três travel techs brasileiras somaram mais de R$ 1,1 bilhão em rodadas de investimento e transações societárias. No mesmo período, o número de empresas de tecnologia para viagens em operação no país chegou a 225.
O contraste entre esses dois números (oferta pulverizada de um lado, capital concentrado do outro) é o achado central do Panorama das Travel Techs 2026, levantamento divulgado pela Loupit, travel tech brasileira de gestão de viagens e despesas corporativas.
O que o estudo mediu
O levantamento identificou 225 empresas, marcas e soluções em atividade no Brasil e as distribuiu em 16 categorias.
A metodologia está declarada no estudo: uma empresa, uma categoria, definida pelo modelo comercial que a própria companhia apresenta em seus materiais públicos (como se posiciona no mercado e como cobra pelo serviço), e não por uma avaliação da Loupit sobre a qualidade de cada solução. Empresas que atuam em mais de uma frente foram alocadas em sua atividade principal, critério que evita dupla contagem e mantém as categorias comparáveis entre si. O corte de informações públicas é 31 de agosto de 2026, e a inclusão de uma empresa no mapa não representa parceria, certificação ou endosso.
Onde a tecnologia se instalou, e onde não
A distribuição por categoria revela um ecossistema numeroso, porém assimétrico. Tecnologia para Turismo (56 empresas), Mobilidade (33) e Viagens Corporativas (24) concentram quase metade do mapa, seguidas por Agências de Viagens Online (21) e Eventos (17).
Na outra ponta, verticais inteiras se sustentam sobre um punhado de players: Produtividade (3), Benefício Corporativo (2) e Marketplace de Viagens Corporativas (1).
A última, porém, merece atenção especial. Trata-se de uma categoria nascente, que nem existia há cinco anos como modelo comercial organizado. O marketplace de viagens corporativas representa uma mudança estrutural na forma como as empresas compram: em vez da relação one-to-one com uma agência, conecta múltiplos fornecedores em uma única plataforma, abrindo espaço para a comparação automática de preços e a padronização de processos. É ainda pequeno em volume, mas sinaliza o caminho que o B2B corporativo pode seguir, o mesmo já trilhado por outras empresas que operam no B2C.
“Mais do que reunir nomes, o estudo ajuda a compreender a especialidade de cada travel tech e as oportunidades de integração que estão transformando a experiência de viajantes e empresas”, afirma Patrick Tytgadt, CEO da Loupit.
Capital concentrado em um setor pulverizado
O descompasso entre número de empresas e volume de capital é o dado que mais chama atenção na leitura econômica do mapa. Enquanto a oferta se espalha por mais de duas centenas de soluções, o investimento se concentrou em poucas companhias: três travel techs brasileiras somaram mais de R$ 1,1 bilhão em pouco mais de doze meses, em duas rodadas de Série B de R$ 240 milhões cada e uma transação societária de cerca de R$ 700 milhões. O restante do ecossistema disputa o mesmo mercado sem acesso a capital dessa ordem.
Convergência e IA no núcleo do produto
O estudo registra ainda um movimento de convergência. Plataformas que nasceram especializadas (só reserva, só despesa, só pagamento) passaram a incorporar as etapas vizinhas da jornada, e a fronteira entre categorias ficou mais porosa. Ao mesmo tempo, o mapa registra verticais que sequer existiam no setor há três anos.
“Ter 225 travel techs não significa ter 225 inovações. Nunca tivemos tanta tecnologia e, ao mesmo tempo, tantos processos manuais. Essa contradição precisa acabar e a inteligência artificial já está acelerando essa transformação. A verdadeira inovação não está em lançar mais uma plataforma, mas em conectar o que já existe, automatizar o que ainda é manual e simplificar o que nenhuma solução conseguiu resolver sozinha”, afirma Patrick Tytgadt, Founder e CEO da Loupit.
“A inteligência artificial deixou de ser uma camada acessória e passou para o núcleo do produto”, complementa Leonardo Crispim, CTO da Loupit. “Ela hoje entra na precificação, na detecção de fraude em despesas e na recomendação dentro da política da empresa, não em um módulo à parte”.
O mercado cresce mais rápido do que se digitaliza
O pano de fundo é de expansão. O mercado corporativo brasileiro movimentou cerca de R$ 147,8 bilhões em 2025, com projeção entre R$ 158 bilhões e R$ 160 bilhões para 2026. A GBTA estima gasto de US$ 35,8 bilhões no país, alta de 13,8%.
Como acessar
O Panorama das Travel Techs 2026 traz a lista nominal das 225 empresas, categoria por categoria, com as análises por vertical e a leitura de concentração do mercado. O estudo está disponível gratuitamente em https://loupit.com/blog/mapa-travel-techs, com página própria para cada uma das 16 categorias.
Sobre a Loupit
A Loupit é uma travel tech brasileira de gestão de viagens e despesas corporativas através de um marketplace que conecta agências e empresas. Na plataforma, a empresa cliente compara em um mesmo ambiente as cotações das agências que homologou e compra aéreo, hotel, rodoviário e locação com política de viagens, alçadas e prestação de contas integradas. A solução reúne ainda gestão de despesas, inteligência artificial aplicada à economia de custos, aplicativo para o viajante e atendimento 24/7.




